O que é ser ruim? Se há resposta, então o que é ser bom? O que é bom pode ter algo de ruim? Se há um misto dos dois sempre presentes, não podemos classificar entre bom ou ruim? Ou classificamos a partir do que é mais presente, mesmo que nunca ocorra a totalidade de um lado?
Com estas perguntas me indaguei após ouvir algumas músicas de Rogério Skylab. Aparentemente ao analisar, sobretudo as letras das canções, o ouvinte diria que tratasse de um trabalho de baixíssima qualidade. Mas, uma música existe somente a partir de uma letra? Não há melodia? Harmonia? Acordes? Mensagem? Métrica? Técnica? Feeling? Performance?
As variáveis são tantas que percebo: nós julgamos a qualidade das coisas apenas pelos sinais que nos chamam mais atenção, daí a diversidade de gostos e preferências (sejam musicais, literárias, estéticas, etc), já que o processo de identificar e assimilar o que se observa é extremamente pessoal. Então, penso que o gostar sempre é imparcial, nunca pondera todos os lados, nem se quer os enxerga em plenitude.
É bem verdade que Rogério Skylab tem a proposta de fazer músicas sob um aspecto cômico, tragicômico, e muitas daz vezes passa do limite quando narra por exemplo histórias de homossexualismo, assassinato, doenças terminais e deficiências físicas. Contudo, analisando especificamente a música “Parafuso na cabeça” podemos identificar pontos positivos também.
Vendo o clipe, a começar há um solo de guitarra criativo e cativante; o baixo paralelamente faz uma marcação harmoniosa e variante. A letra pode não ser uma obra prima, porém as palavras são bem escolhidas, são sonoras e encaixam bem nas passagens da música. Por fim, a mensagem transmitida é um dos pontos mais altos, tendo em vista que é lúcida como muitas músicas sérias não são.
Ou seja, definir o que é ruim ou não, está muito mais situado no que buscamos achar do que no que realmente as coisas sejam. Cabe então o trabalho de um verdadeiro garimpeiro, explorando universos dos mais diversificados e filtrando aquilo que nos convém. No caso da música, ouvir todos os discos, ultrapassar a barreira das rádios e selecionar o que for de agrado é o melhor meio. Um meio sem restrições de nome ou gênero, um meio que vai direto à unidade do registro sonoro.
Lauro Gryon
oocritico@yahoo.com.br
… (essa postagem ainda será finalizada)