OOlhar Crítico

April 20, 2008

Televisões e Intenções

Filed under: Crônica, Documentário, Uncategorized — Lauro Gryon @ 1:37 pm
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O documentário produzido pela rede de televisão londrina BBC, o qual recebeu no Brasil o nome de “Além do Cidadão Keane” é uma boa fonte de informação para refletirmos sobre a notícia que recebemos especificamente das redes televisivas. Embora, produzido na década de 90, as questões matem-se atuais.

A intencionalidade e os ligamentos político-partidários apresentados, no exemplo de casos ocorridos com a Rede Globo, permite-nos constatar como a TV pode ser um instrumento de poder vital para sustentação de classes e por conseqüência como somos reféns deste processo.

Duas são as questões danosas para o ainda presente panorama: o primeiro é que as redes dependem do governo federal para a obtenção da concessão que então as permita entrar e permanecer no ar. Logo, estabelecendo uma certa subserviência em que interesses podem ser extraídos desta relação. O segundo ponto é que a TV, principalmente por ser um canal de altíssima amplitude de formação de opinião, é gerenciada muitas das vezes, mesmo que indiretamente, por grupos e/ou membros partidários na finalidade de agregar eleitores para uma hegemonia de governança .

Talvez hoje vivamos em um regime pior que o ditatorial. Pois imposições ocorrem de formas tão sutis e complexas (protegidas pela utopia de democracia), que nem se quer mais temos a percepção de quando ocorrem. A naturalidade perante o problema é de tamanha proporção, que nos inibe a uma mobilização e o conformismo tende a imperar.


fonte: google video

Apesar de corroborar com a crítica levantada no documentário, uma pergunta é bem vinda ao final do vídeo: qual o intuito em produzir determinado material especificamente da Rede Globo de Televisão? Será que em outros países e canais o mesmo não ocorre? Por que a escolha pelo Brasil?

No presente momento em que a história foi retratada a Rede Globo era a 4ª maior rede de televisão do Mundo, somente atrás de três canais norte-americanos. Logo, A BBC, produtora do material, ocupava uma colocação inferior. A apresentação de dados negativos sobre uma marca concorrente, logicamente induz a conclusão de que na realidade foram frutos de uma briga por mercado, mercado de telespectadores.

Enfim, a questão essencial não foi alertar que somos massa de manobra da Rede Globo, mas sim transmitir a idéia de “como assistir um canal que manipula informações a seu favor?”. A concorrência, muitas das vezes ocasiona em bons resultados para o consumidor, e, neste caso, não foi diferente, pois obtivemos acesso a um documentário importante. Todavia, é necessário pensar que as relações de poder (seja político, religioso, econômico ou qualquer outro que seja) ultrapassam a questão de um único canal de TV ou de uma específica região territorial. Estas relações estão presentes até mesmo na BBC de Londres e espalhadas pelos quatro cantos do globo.

Lauro Gryon
oocritico@yahoo.com.br

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