Complexa e polissêmica a Leitura. Sempre um abismo a separar entre Autor e Leitor, em que na verdade não há aproximação e sim um menor distanciamento. Nunca haverá harmonia constante das idéias daquele que transmite para o que as recebe. Pois, o texto é um lago de palavras, frases, estrofes, e, o leitor, um humilde pescador a deriva. Os peixes, que no lago habitam, são o significado, a fonte de procura. Pobre é o pescador, notório que não pescará todos os peixes e, dependendo do lago, se não for tão límpido e claro, pescará até o que não são peixes.
Assim é o ato de ler: o entender de uma proposta, a captura da essência, uma contínua reflexão com o ambiente e não somente o decifrar de registros e símbolos. As fotografias de Madoz são mais que um instante congelado de forma poética. Ocorre o registro visual de objetos casuais, que ao participarem de um verdadeiro processo de “desconstrução construtiva”, tornam-se extremamente cativantes a uma leitura.
Lauro Gryon
oocritico@yahoo.com.br
Abaixo segue o site com imagens da obra do Fotógrafo Chema Madoz, expostas no Centro Cultural Banco do Brasil em Junho de 2007.