O humor na TV anda mal das pernas e, salvo raras exceções, vem mantendo uma fórmula: envelhecida, ultrapassada, descontextualizada da realidade e caricata em proporções sem cabimento. Para ratificar estes dados venho a propor um teste. Assista ao vídeo abaixo e perceba se em algum momento, em algum momento mesmo que mínimo, conseguirá mover sua face próximo a um sorriso. Não estou ainda a pôr em questão a qualidade do roteiro, da atuação dos “comediantes”, da infra-estrutura da filmagem; apenas quero saber se a finalidade do humor é despertada em você, quero dizer, se existe determinada graça.
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Posso afirmar com segurança que se manteve indiferente à cena e ainda posso afirmar, que uma aposta neste sentido, seria mais rentável que qualquer jogo de corrida de cavalos, investimento na bolsa ou coisa que o valha, pois haveria um grau de risco próximo dos 0%.
Pois bem, é esse o tipo de humor que merecemos assistir? Cercado de ações espalhafatosas, sem nexo, de mau gosto, repetitivas e tediosas? Seguindo um lado, de certa maneira antagônico, Há um surto, em grande parte nos teatros, da comédia stand up, onde esta é caracterizada por improviso e críticas à temas cotidianos. Certamente este jeito de fazer humor atingirá seu ponto de saturação, todavia penso que seja um estilo mais oportuno, já que constrói críticas verdadeiras (propondo até, mesmo que indiretamente, uma reflexão sobre nossos comportamentos no dia-a-dia). É um meio o qual agrega valor, que exige o talento nato do comediante e não meramente o decorar de textos mornos, caretas ou vozes esdrúxulas.
Fica a sugestão então de duas linhas de humor que seguem as tendências do Stand Up Comedy, ou Comédia em Pé. A começar por Marcelo Adnet, com seu “15 minutos”. Ele é versátil, canta, toca, imita, representa, improvisa, debate assuntos e entra em contato com seu público continuamente. É um artista (embora ainda muito jovem) completo e tenho certeza que pertencente a uma nova geração de humor. Outro grande talento é Bruno Mazzeo, filho de Chico Anísio, porém desprovido de qualquer crítica de nepotismo, já que seu estilo difere totalmente ao de seu pai. Mazzeo, não somente atua com precisão, mas desenvolve também roteiros magníficos em “Cilada”. O programa Cilada é uma narrativa de atividades embaraçosas, fazendo jus ao título e que sempre tendem a colocar o espectador em profunda identificação com a história.
Para concluir, se somos críticos ao comprar determinada roupa, apreciar certo alimento, julgar uma série de serviços e produtos por nós consumidos, então por que não sermos mais críticos também ao humor na TV? A tolerância ao mau gosto deve acabar. Temos de ser mais exigentes e cobrar por bons trabalhos artísticos. A resposta a esse panorama atual e quase que homogêneo de péssimos programas é o da indiferença, ou seja, não os assista! Já que, o humor de encher os olhos, tem sido em sua grande parte o de encher os olhos de lágrimas de decepção.
