Complexa e polissêmica a Leitura. Sempre um abismo a separar entre Autor e Leitor, em que na verdade não há aproximação e sim um menor distanciamento. Nunca haverá harmonia constante das idéias daquele que transmite para o que recebe. Pois, o texto é um lago de palavras, frases, estrofes, e, o leitor, um humilde pescador a deriva. Os peixes, que no lago habitam, são o significado, a fonte de procura. Pobre é o pescador, notório que não pescará todos os peixes e, dependendo do lago, se não for tão límpido e claro, pescará até o que não são peixes.
Assim é o ato de ler: o entender de uma proposta, a captura da essência, uma contínua reflexão com o ambiente e não somente o decifrar de registros e símbolos. As fotografias de Madoz são mais que um instante congelado de forma poética. Ocorre o registro visual de objetos casuais, que ao participarem de um verdadeiro processo de “desconstrução construtiva”, tornam-se extremamente cativantes a uma leitura.
Lauro Gryon
oocritico@yahoo.com.br
Abaixo segue algumas imagens da obra do Fotógrafo Chema Madoz, presentes no Centro Cultural Banco do Brasil em Junho de 2007.
O que é ser ruim? Se há resposta, então o que é ser bom? O que é bom pode ter algo de ruim? Se há um misto dos dois sempre presentes, não podemos classificar entre bom ou ruim? Ou classificamos a partir do que é mais presente, mesmo que nunca ocorra a totalidade de um lado?
Com estas perguntas me indaguei após ouvir algumas músicas de Rogério Skylab. Aparentemente ao analisar, sobretudo as letras das canções, o ouvinte diria que tratasse de um trabalho de baixíssima qualidade. Mas, uma música existe somente a partir de uma letra? Não há melodia? Harmonia? Acordes? Mensagem? Métrica? Técnica? Feeling? Performance?
As variáveis são tantas que percebo: nós julgamos a qualidade das coisas apenas pelos sinais que nos chamam mais atenção, daí a diversidade de gostos e preferências (sejam musicais, literárias, estéticas, etc), já que o processo de identificar e assimilar o que se observa é extremamente pessoal. Então, penso que o gostar sempre é imparcial, nunca pondera todos os lados, nem se quer os enxerga em plenitude.
É bem verdade que Rogério Skylab tem a proposta de fazer músicas sob um aspecto cômico, tragicômico, e muitas daz vezes passa do limite quando narra por exemplo histórias de homossexualismo, assassinato, doenças terminais e deficiências físicas. Contudo, analisando especificamente a música “Parafuso na cabeça” podemos identificar pontos positivos também.
Vendo o clipe, a começar há um solo de guitarra criativo e cativante; o baixo paralelamente faz uma marcação harmoniosa e variante. A letra pode não ser uma obra prima, porém as palavras são bem escolhidas, são sonoras e encaixam bem nas passagens da música. Por fim, a mensagem transmitida é um dos pontos mais altos, tendo em vista que é lúcida como muitas músicas sérias não são.
Ou seja, definir o que é ruim ou não, está muito mais situado no que buscamos achar do que no que realmente as coisas sejam. Cabe então o trabalho de um verdadeiro garimpeiro, explorando universos dos mais diversificados e filtrando aquilo que nos convém. No caso da música, ouvir todos os discos, ultrapassar a barreira das rádios e selecionar o que for de agrado é o melhor meio. Um meio sem restrições de nome ou gênero, um meio que vai direto à unidade do registro sonoro.
O documentário produzido pela rede de televisão londrina BBC, o qual recebeu no Brasil o nome de “Além do Cidadão Keane” é uma boa fonte de informação para refletirmos sobre a notícia que recebemos especificamente das redes televisivas. Embora, produzido na década de 90, as questões matem-se atuais.
A intencionalidade e os ligamentos político-partidários apresentados, no exemplo de casos ocorridos com a Rede Globo, permite-nos constatar como a TV pode ser um instrumento de poder vital para sustentação de classes e por conseqüência como somos reféns deste processo.
Duas são as questões danosas para o ainda presente panorama: o primeiro é que as redes dependem do governo federal para a obtenção da concessão que então as permita entrar e permanecer no ar. Logo, estabelecendo uma certa subserviência em que interesses podem ser extraídos desta relação. O segundo ponto é que a TV, principalmente por ser um canal de altíssima amplitude de formação de opinião, é gerenciada muitas das vezes, mesmo que indiretamente, por grupos e/ou membros partidários na finalidade de agregar eleitores para uma hegemonia de governança .
Talvez hoje vivamos em um regime pior que o ditatorial. Pois imposições ocorrem de formas tão sutis e complexas (protegidas pela utopia de democracia), que nem se quer mais temos a percepção de quando ocorrem. A naturalidade perante o problema é de tamanha proporção, que nos inibe a uma mobilização e o conformismo tende a imperar.
fonte: google video
Apesar de corroborar com a crítica levantada no documentário, uma pergunta é bem vinda ao final do vídeo: qual o intuito em produzir determinado material especificamente da Rede Globo de Televisão? Será que em outros países e canais o mesmo não ocorre? Por que a escolha pelo Brasil?
No presente momento em que a história foi retratada a Rede Globo era a 4ª maior rede de televisão do Mundo, somente atrás de três canais norte-americanos. Logo, A BBC, produtora do material, ocupava uma colocação inferior. A apresentação de dados negativos sobre uma marca concorrente, logicamente induz a conclusão de que na realidade foram frutos de uma briga por mercado, mercado de telespectadores.
Enfim, a questão essencial não foi alertar que somos massa de manobra da Rede Globo, mas sim transmitir a idéia de “como assistir um canal que manipula informações a seu favor?”. A concorrência, muitas das vezes ocasiona em bons resultados para o consumidor, e, neste caso, não foi diferente, pois obtivemos acesso a um documentário importante. Todavia, é necessário pensar que as relações de poder (seja político, religioso, econômico ou qualquer outro que seja) ultrapassam a questão de um único canal de TV ou de uma específica região territorial. Estas relações estão presentes até mesmo na BBC de Londres e espalhadas pelos quatro cantos do globo.
O exercício da crítica, hoje na era da pluricelularidade de informações, torna-se algo difícil, porém necessário. Difícil - por vivermos uma era em que justamente há uma enorme gama de informações e o dinamismo presente nos impede de assimilar um determinado fato junto aos nossos valores, conhecimentos e interpretações. Necessário - posto que a complexidade de acontecimentos gerados e manipulados por diversos interesses acabam quase que frequentemente nos moldando a aceitar dada versão, sem ao menos um questionamento.
O presente canal “Olhar Critico” visa de certa forma a desinformação. Não que um indivíduo saia menos informado ao acessar a referida página, entretanto o mesmo terá um contato com a desconstrução de uma informação, conceito ou conhecimento apresentado por outro emissor (seja enquanto pessoa física ou jurídica).
A metodologia a ser desenvolvida consistirá na análise de uma notícia, expressão ou acontecimento identificando justamente a contrariedade do pensamento exposto e apresentando os fundamentos para tal oposição de idéias.
Desta maneira, surge a crítica e a opinião própria, quando temos uma dualidade e escolhemos um caminho. De certa forma o grau de persuasão de um lado que seja mais competente poderá induzir o observador a uma escolha, todavia insumos para uma compreensão e concepção estarão melhor estruturados.
Finalizando, nada é tão simples e tudo é questionável - novas percepções para velhas existências.